Existem sonhos que nos acompanham por anos, silenciosos, amadurecendo dentro de nós até encontrarem o momento certo de acontecer. A expedição ao Himlung Himal foi um desses sonhos e a sua realização se transformou em um marco não apenas pessoal, mas coletivo.
Localizado no coração do Himalaia, no Nepal, o Himlung Himal, com seus 7.126 metros de altitude, foi o cenário de uma expedição inédita: 100% feminina. Um projeto ousado, potente e profundamente simbólico.
Ao todo, fomos 40 mulheres unidas por um mesmo propósito. Entre elas, 17 brasileiras trekkers até o campo base a 4900m, que encararam o desafio do trekking de altitude a 4900m e um time de escaladoras experientes, incluindo quatro brasileiras e cinco nepalesas, as Sherpanis, fundamentais em toda a jornada. Ao nosso lado, também estiveram as carregadoras locais, mulheres fortes que sustentaram, com trabalho e dignidade, cada etapa dessa travessia.
Não foi apenas uma expedição. Vivemos um movimento.
Em um país onde estão algumas das montanhas mais altas e impressionantes do planeta, mas onde as mulheres ainda enfrentam barreiras significativas para ocupar espaço no montanhismo, essa expedição representou uma quebra de paradigma. Historicamente, o ambiente de alta montanha sempre foi predominantemente masculino, especialmente no que diz respeito às posições de liderança, escalada técnica e operações logísticas.
E foi exatamente por isso que essa conquista se tornou tão relevante.
Durante semanas mostramos, na prática, a força, a capacidade e a união feminina em um dos ambientes mais desafiadores do mundo. Cada passo no trekking, cada adaptação à altitude, cada avanço na montanha carregava não só esforço físico, mas também um significado maior: o de abrir caminhos para que outras mulheres possam, também, ocupar esses espaços.
A relevância dessa expedição ultrapassou as montanhas. A história ganhou destaque na mídia nacional, com publicação na Folha de S.Paulo, evidenciando o impacto e a importância desse movimento. Além disso, o projeto foi reconhecido e premiado, consolidando-se como um marco na história do montanhismo no Nepal.
Liderar essa expedição foi, sem dúvida, uma das experiências mais profundas e transformadoras da minha trajetória. Não apenas pelo desafio técnico e físico, mas pela oportunidade de conduzir um grupo de mulheres determinadas, diversas e conectadas por um mesmo sonho.
Uma expedição 100% feminina vai muito além da presença de mulheres. Ela representa protagonismo, equidade e transformação. Representa a construção de novos espaços, novas narrativas e novas possibilidades.
O Himlung Himal continuará lá, imponente, como sempre esteve. Mas agora, ele também carrega a história de mulheres que ousaram sonhar grande e que provaram, juntas, que pertencem a qualquer lugar onde desejarem estar.
Essa foi uma experiência que transcende uma expedição. Foi um passo firme rumo a um futuro com mais espaço, mais voz e mais altitude para todas nós.




